As doenças cardiovasculares continuam representando um dos maiores desafios da saúde pública mundial. Muitas dessas condições evoluem silenciosamente, sem provocar sinais evidentes nas fases iniciais, o que torna a prevenção e o acompanhamento médico medidas fundamentais para reduzir complicações.

O coração trabalha continuamente para manter a circulação sanguínea e fornecer oxigênio aos órgãos e tecidos. Entretanto, determinados hábitos, quando mantidos por longos períodos, podem comprometer o funcionamento do sistema cardiovascular. Entre os principais fatores de risco estão a pressão arterial elevada, o colesterol alterado, o diabetes, o tabagismo, o excesso de peso e a falta de atividade física.

Um dos aspectos mais preocupantes é que muitos desses fatores podem permanecer desconhecidos durante anos. A hipertensão arterial, por exemplo, frequentemente não apresenta sintomas perceptíveis. Por esse motivo, medir a pressão regularmente, mesmo na ausência de desconforto, é uma atitude importante para a identificação precoce de alterações.

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O perigo de ignorar os sinais do organismo

Dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náuseas, tontura e desconforto que se estende para os braços, costas, mandíbula ou pescoço podem indicar uma emergência cardiovascular. Os sintomas variam entre as pessoas e nem sempre aparecem de maneira intensa.

Diante da suspeita de infarto, é necessário procurar atendimento de emergência imediatamente. No Brasil, o SAMU pode ser acionado pelo número 192. Não se deve esperar que os sintomas desapareçam espontaneamente nem dirigir por conta própria até o hospital.

Além das emergências, manifestações como falta de ar durante esforços habituais, palpitações recorrentes, inchaço nas pernas e redução inexplicada da capacidade física precisam de avaliação profissional. Embora possam ter diferentes causas, não devem ser ignoradas.

Alimentação, movimento e qualidade do sono

A prevenção cardiovascular depende de um conjunto de escolhas que, somadas ao longo do tempo, contribuem para proteger o organismo. Uma alimentação com maior presença de frutas, verduras, legumes, feijões e grãos integrais, associada à redução do consumo excessivo de sal, ultraprocessados e gorduras saturadas, pode favorecer o controle dos principais fatores de risco.

A prática regular de atividade física também desempenha papel importante. Caminhadas, exercícios aeróbicos e atividades de fortalecimento, respeitando as condições individuais, ajudam a melhorar o condicionamento físico e contribuem para o controle da pressão arterial, da glicemia e do peso corporal.

O sono merece atenção semelhante. Dormir pouco ou apresentar distúrbios do sono, como a apneia obstrutiva, pode estar associado a maior risco cardiovascular. Por isso, roncos intensos acompanhados de pausas respiratórias, sonolência excessiva durante o dia e cansaço persistente devem ser investigados.

Outro ponto essencial é abandonar o tabagismo. O consumo de cigarros e outros produtos derivados do tabaco prejudica os vasos sanguíneos e aumenta o risco de infarto e acidente vascular cerebral. O acompanhamento profissional pode auxiliar quem deseja interromper esse hábito.

Prevenção exige acompanhamento

Não existe uma única medida capaz de eliminar todos os riscos cardiovasculares. A avaliação periódica permite identificar alterações, analisar o histórico familiar e definir a necessidade de exames ou tratamentos específicos.

Pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou histórico familiar de doenças cardíacas podem precisar de acompanhamento individualizado. A utilização de medicamentos, quando prescrita, deve seguir a orientação profissional, sem interrupções por conta própria.

Também é importante evitar a automedicação e o uso indiscriminado de suplementos ou substâncias divulgadas como soluções para melhorar a circulação ou proteger o coração.

O coração não deve ser lembrado apenas quando dói

A prevenção cardiovascular começa muito antes de qualquer sintoma. Medir a pressão, acompanhar os níveis de colesterol e glicose, manter hábitos saudáveis e procurar assistência médica regularmente são atitudes que podem fazer diferença ao longo da vida.

Em uma rotina na qual muitas pessoas adiam o próprio cuidado por falta de tempo, a informação se torna uma ferramenta indispensável. Reconhecer os fatores de risco e compreender a importância da prevenção permite tomar decisões mais conscientes sobre a própria saúde.

Cuidar do coração é um compromisso diário com a vida. A prevenção não elimina todos os riscos, mas permite identificar problemas mais cedo e construir melhores condições para envelhecer com saúde e qualidade de vida.

Informação, consciência e qualidade de vida.

Por Dr. Acelo Lambrini