Assistir à coletiva de ontem, no Palacete Tirachapéu, foi mais do que acompanhar o anúncio da agenda de verão de Margareth Menezes. Foi testemunhar uma mulher que transformou sua trajetória artística em referência de resistência, cultura e protagonismo feminino. O lançamento do Maga Convida, que abre as celebrações dos 25 anos do Afropopbrasileiro, não é apenas um show; é um manifesto de força, ancestralidade e inovação, onde Margareth se posiciona como catalisadora de encontros entre gerações e experiências musicais.

Retornar ao Bloco Os Mascarados depois de cinco anos, comandar o Trio da Cultura e participar de projetos que atravessam territórios e ritmos mostra que Margareth não celebra apenas uma carreira, mas uma maneira de ocupar espaços historicamente construídos por homens e por sistemas que subestimam o poder da voz feminina. O Maga Convida, que reúne blocos afros icônicos e artistas de diferentes gerações, evidencia como a música pode ser território de invenção e identidade coletiva, especialmente para mulheres que desejam se afirmar sem abrir mão da memória, da tradição e da estética própria.

O que me impressiona é como Margareth consegue equilibrar leveza e profundidade. Cada ação de sua agenda – seja a participação na Enxaguada de Yemanjá, nos ensaios de blocos ou nas apresentações do Carnaval – não é apenas um compromisso artístico, mas um gesto de conexão com a ancestralidade e com o futuro da música brasileira. Como jornalista e mulher que acompanha a cena cultural, vejo nesse movimento uma lição sobre o feminino contemporâneo: mulheres que se reconhecem, que ocupam, que inovam e que carregam no gesto artístico o poder de inspirar outras mulheres a se enxergarem como protagonistas de suas próprias histórias.

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O Maga Convida e a agenda de verão de Margareth são mais do que datas e shows; são declarações de como a arte e o feminino se entrelaçam em uma narrativa de resistência, celebração e inventividade. Para quem observa de fora, é impossível não perceber que, para Margareth, cada palco é também um território de liberdade, onde a música é ponte entre gerações, território de memória e, sobretudo, instrumento de empoderamento feminino.

FONTE/CRÉDITOS: Tamires Moreno