A reportagem deu voz a um artista agredido por seguranças da CCR Metrô durante o período do Finados, mostrando imagens, depoimentos da família, de amigos e relatos que revelam grosseria, humilhação e abuso de autoridade.

O artista  não estava praticando crime

Ele estava tentando exercer seu trabalho: levar poesia, rap, música e arte às pessoas que circulam pelo metrô. Mesmo assim, segundo o caso apresentado, foi abordado com violência, agredido e conduzido a uma delegacia. Durante a entrevista, um amigo identificado como Marcos Amigo teria pedido moderação, explicando que aquele jovem era apenas um artista. Em resposta, teria sido empurrado e ameaçado por um dos seguranças.

Uma denúncia que não pode ser esquecida

Leia Também:

O caso ganhou repercussão porque expôs uma realidade que muitos artistas de rua conhecem: a dificuldade de trabalhar em espaços públicos sem ser tratado como suspeito. Poetas, MCs, cantores, atores e atrizes que apresentam seu trabalho em estações, trens, ônibus e praças não estão praticando delito; estão buscando sustento, visibilidade e, principalmente, levando cultura à população.

A reportagem do Alô Juca foi importante porque mostrou o rosto dessa violência. Não se tratou apenas de uma reclamação isolada: houve imagens, relatos da mãe do artista, depoimentos de amigos e uma situação que chocou o público.

Parabéns à repórter Dani, e ao apresentador Marcelo Castro e a toda a equipe do Alô Juca, reconhecido como um dos programas de maior audiência da Bahia, por dar espaço às vozes das ruas, das favelas e das periferias.

Artistas que levam alegria e combatem a depressão
Os artistas que circulam pelos metrôs, ônibus, praças e ruas não levam apenas música ou palavras. Eles levam alegria, esperança, afeto e resistência para pessoas que muitas vezes seguem para o trabalho cansadas, tristes, ansiosas ou enfrentando a depressão em silêncio.

Uma poesia dita no vagão pode tocar alguém que está prestes a desistir. Um rap pode dar voz a quem nunca foi ouvido. Uma música pode transformar a viagem de um passageiro e lembrá-lo de que ele não está sozinho. Uma apresentação teatral pode despertar consciência, emocionar e devolver um pouco de leveza ao dia de milhares de pessoas.

Cada verso dito com verdade pode confortar, educar, salvar vidas e fortalecer a identidade do povo baiano. Por isso, respeitar o artista é respeitar a cultura, a periferia, a juventude e a própria história de Salvador. Arte não é incômodo: arte é cuidado, é resistência e é vida.

O que a CCR precisa fazer

A CCR Metrô Bahia não pode se limitar a notas institucionais. É preciso criar um projeto oficial de credenciamento para artistas, em parceria com a Secretaria de Cultura, coletivos artísticos, representantes de artistas de rua e órgãos de direitos humanos.

O projeto poderia funcionar assim:
Credencial gratuita, com foto, nome artístico, tipo de apresentação e validade definida.
Agenda organizada, com dias, horários, estações, vagões e linhas específicas.
Regras claras de convivência, respeitando assentos prioritários, circulação de passageiros, acessibilidade e segurança operacional.

Proibição de abordagem abusiva, com orientação obrigatória e treinamento antirracista para seguranças.
Canal público de denúncia, com número de protocolo, prazo de resposta e participação da ouvidoria.

Punição efetiva para seguranças que praticarem agressão, ameaça, humilhação ou constrangimento ilegal.
A credencial deve proteger o artista, não criminalizá-lo. Ela deve garantir que quem está cadastrado possa se apresentar com dignidade, sem medo de ser empurrado, xingado, agredido ou levado à delegacia por estar fazendo arte.

Um exemplo para o Brasil
Essa discussão não deve ficar restrita à Bahia. Metrôs, trens, terminais, ônibus e espaços públicos de todo o Brasil poderiam adotar políticas semelhantes, criando condições seguras para que artistas populares possam se apresentar. A CCR, que atua em diversos estados e ganha muito com a operação de serviços públicos, tem responsabilidade social de ir além do transporte.

A pergunta que fica é direta: a CCR vai criar um projeto oficial de espaço para os artistas? Vai transformar a indignação provocada pelas imagens em uma política permanente de respeito, cultura e inclusão?
Estamos solidários aos artistas de Salvador, da Bahia, do Brasil e do mundo.

Queremos mais respeito para quem faz da arte o seu pão de cada dia e leva alegria, poesia e esperança para quem enfrenta a depressão, a solidão e as dificuldades do dia a dia.
CCR, respeite nossos artistas. Abra o diálogo. Crie o credenciamento. Puna os abusos dos seguranças. E garanta que nenhuma pessoa volte a ser humilhada por escolher a arte como forma de viver.

FONTE/CRÉDITOS: Por : Jhonatanbiths