O Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil não é apenas uma data histórica — é um lembrete vivo de que direitos nunca foram dados, sempre foram conquistados. Em 1932, quando o país reconheceu o voto feminino, abriu-se uma porta que mulheres como Bertha Lutz ajudaram a escancarar com coragem, estratégia e mobilização. Mas a pergunta que ecoa hoje não é mais se podemos votar. É: podemos exercer o poder sem sermos violentadas politicamente?

Porque a realidade mostra que ainda não totalmente.


Democracia não é só votar — é poder permanecer

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A presença feminina na política brasileira cresceu, mas ainda enfrenta barreiras estruturais. Não basta eleger mulheres; é preciso garantir que elas consigam atuar, decidir e liderar sem sofrer ataques que tentam silenciá-las. A violência política de gênero e de raça — que inclui ameaças, difamação, deslegitimação pública e intimidação — é uma das principais ferramentas usadas para afastar mulheres dos espaços de poder.

Dados de instituições como o Tribunal Superior Eleitoral e observatórios de direitos políticos apontam que candidatas e parlamentares, especialmente negras, são as maiores vítimas desse tipo de violência. Isso revela que o problema não é apenas de gênero, mas também de raça e classe.

Quando uma mulher é atacada, a democracia é atacada

Violência política não é “debate acalorado” nem “opinião forte”. É uma estratégia de exclusão. O objetivo não é discordar — é expulsar. E quando isso acontece, o prejuízo não é individual. É coletivo.

Cada mulher silenciada representa:

  • menos diversidade de ideias
  • menos políticas públicas inclusivas
  • menos representatividade real

Uma democracia madura não se mede só pelo número de votos nas urnas, mas pela pluralidade de vozes que permanecem depois da eleição.

Permanecer é o novo conquistar

Se o século passado foi marcado pela luta para entrar na política, este século é marcado pela luta para permanecer nela com dignidade, segurança e respeito.

Garantir isso exige:

  • leis efetivas contra violência política de gênero e raça
  • responsabilização real dos agressores
  • redes de apoio institucionais e sociais
  • educação política da população

Porque presença feminina não é concessão — é direito constitucional.

Voz de amiga te lembra

Celebrar o voto feminino não é olhar só para trás com orgulho. É olhar para frente com responsabilidade. As mulheres já provaram que sabem governar, legislar e transformar. O que o país precisa provar agora é se sabe protegê-las enquanto fazem isso.

Democracia de verdade não teme mulheres no poder. Ela depende delas. ✊🏽

FONTE/CRÉDITOS: Tamires Moreno