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Após o Dia Nacional da Vacinação, celebrado em 17 de outubro, especialistas e gestores de saúde reforçam a importância de recuperar doses atrasadas, combater a desinformação e ampliar a confiança nas políticas de imunização.
Por Dr. Acelo Lambrini
Uma das ferramentas mais importantes da saúde pública
A vacinação permanece entre as estratégias mais importantes para prevenir doenças infecciosas, reduzir complicações e evitar mortes. Entretanto, disponibilizar imunizantes não é suficiente: é necessário garantir que a população tenha acesso às doses recomendadas, compreenda sua importância e encontre serviços de saúde preparados para atender às diferentes necessidades.
Em 17 de outubro, o Brasil celebrou o Dia Nacional da Vacinação. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 222 milhões de doses haviam sido distribuídas no país ao longo de 2026. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a população tem acesso gratuito a vacinas que protegem contra mais de 20 doenças.
Os números demonstram a dimensão logística do Programa Nacional de Imunizações, mas também evidenciam a importância de um trabalho permanente de informação, acompanhamento e busca ativa de pessoas com doses pendentes.
A caderneta de vacinação precisa ser compreendida como um documento de cuidado contínuo, não apenas como uma exigência para a matrícula escolar ou para determinadas atividades. Crianças, adolescentes, adultos, gestantes e idosos possuem necessidades específicas, que devem ser avaliadas conforme o calendário vacinal e as orientações das autoridades sanitárias.
Desinformação: um obstáculo que não pode ser ignorado
A circulação de informações falsas sobre vacinas representa um desafio para os serviços de saúde. Publicações sem respaldo científico, relatos isolados apresentados como provas e conteúdos que exageram riscos podem gerar insegurança e levar pessoas a adiar ou recusar imunizações importantes.
Isso não significa desconsiderar dúvidas legítimas. Ao contrário: profissionais de saúde precisam acolher perguntas, explicar os benefícios e possíveis eventos adversos dos imunizantes e orientar cada pessoa de maneira clara e responsável.
A confiança é construída com transparência, comunicação acessível e acesso a informações confiáveis. Quando a população não encontra respostas nos serviços de saúde, torna-se mais vulnerável a conteúdos enganosos.
Por isso, campanhas de vacinação devem ir além da divulgação de datas. É fundamental aproximar as equipes de saúde das comunidades, facilitar o acesso às unidades e identificar grupos que enfrentam barreiras geográficas, econômicas ou sociais.
Dengue e outras doenças exigem vigilância permanente
A necessidade de prevenção também se estende às doenças transmitidas por mosquitos. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde em outubro mostram que 49,2% dos 3.732 municípios que forneceram informações ao levantamento de infestação do Aedes aegypti apresentavam situação de alerta ou risco.
Embora o país tenha registrado uma redução de aproximadamente 70% nos casos prováveis de dengue até 26 de setembro, em comparação com o mesmo período de 2025, o cenário ainda exige atenção.
A diminuição dos casos é positiva, mas não deve ser interpretada como motivo para abandonar as medidas preventivas. Eliminar água parada, manter reservatórios fechados, limpar calhas e dar destino adequado a recipientes que acumulam água continuam sendo ações essenciais.
A vacinação contra a dengue também integra a estratégia de prevenção, respeitando as faixas etárias, os critérios de elegibilidade e as orientações vigentes do SUS. A imunização, entretanto, não substitui o controle do mosquito nem elimina a necessidade de vigilância epidemiológica.
O papel do SUS e a responsabilidade coletiva
O enfrentamento dos desafios sanitários depende de uma rede que envolve União, estados, municípios, profissionais de saúde e cidadãos. Cabe ao poder público organizar campanhas, assegurar a distribuição dos imunizantes, monitorar a cobertura vacinal e enfrentar desigualdades de acesso.
Às equipes de saúde compete orientar a população, verificar cadernetas, identificar atrasos e facilitar a atualização das doses. À sociedade cabe buscar informações confiáveis, evitar a disseminação de conteúdos falsos e participar das estratégias de prevenção.
O SUS desempenha um papel decisivo nesse processo por oferecer vacinação gratuita e integrar ações de atenção básica e vigilância em saúde. Fortalecer essa estrutura significa investir não apenas na prevenção de doenças, mas também na redução de internações e na proteção dos grupos mais vulneráveis.
Prevenir continua sendo melhor do que remediar
A discussão sobre vacinação precisa permanecer na agenda pública durante todo o ano. Datas comemorativas ajudam a chamar a atenção, mas a proteção coletiva depende da continuidade das ações e do compromisso cotidiano com a saúde.
Conferir a caderneta, procurar uma unidade de saúde e esclarecer dúvidas com profissionais qualificados são atitudes simples que podem fazer diferença. As vacinas recomendadas devem ser avaliadas individualmente, considerando idade, histórico vacinal, condições específicas e orientações oficiais.
A saúde pública se fortalece quando a prevenção deixa de ser uma preocupação ocasional e passa a fazer parte da cultura de cuidado da sociedade. Vacinar é uma decisão individual com impacto coletivo — e garantir que essa proteção alcance todos continua sendo um dos grandes desafios do Brasil.
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