A adaptação de livros para o cinema e a TV é uma estratégia utilizada no universo das artes há bastante tempo, mas nunca se viu tantas obras literárias sendo transformadas em produções visuais como nos últimos anos. De olho nisso, a Bienal do Livro Bahia, que acontece de 15 a 21 de abril, no Centro de Convenções Salvador, terá diversos painéis abordando essa temática, inclusive com autores que tiveram suas obras adaptadas e com atores e atrizes que participaram dessas adaptações.

No dia 17 de abril, por exemplo, acontecerá, com os escritores Raphael Montes e Eliana Alves Cruz, o painel “O livro que vira série: a literatura como matriz para o cinema, as séries e o streaming, com foco em como o livro se expande e se converte em roteiro, estrutura dramática e linguagem cinematográfica. Entre outros trabalhos, Montes é criador, roteirista-chefe e produtor-executivo da novela “Beleza Fatal” (Warner Bros. Discovery/HBO Max) e da série “Bom Dia, Verônica” (Netflix), vencedora do APCA 2020. Além das adaptações para o cinema e a TV, seus títulos foram traduzidos em mais de 25 países.

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Já no dia 18 de abril, uma multidão de fãs deve lotar os espaços de programação oficial da Bienal, especialmente por conta dos painéis de Julia Quinn e Paula Pimenta. A primeira, Quinn, é a autora dos populares romances Bridgerton, que serviram de base para a série homônima da Netflix, um fenômeno global. Depois que a série se tornou uma das mais assistidas da história da Netflix, a demanda pelos seus livros cresceu a tal ponto que a oferta se tornou momentaneamente limitada. A segunda, Pimenta, também é reconhecida como um sucesso editorial e famosa por suas séries de livros "Minha Vida Fora de Série" e "Fazendo Meu Filme", que foi adaptada para o cinema em 2024. Outros trabalhos dela transformados em filmes foram “Cinderela Pop” e “Princesa Adormecida”.

 

No dia 20 de abril, véspera do feriado, haverá o painel “Figurinhas, Copa e mistério com O Gênio do Crime”, que contará com os atores Douglas Silva e Francisco Galvão, a roteirista Ana Reber e o produtor executivo Tiago Gomes de Mello. Eles falarão sobre o longa-metragem “O Gênio do Crime”, adaptado do clássico infanto-juvenil de João Carlos Marinho, que marcou gerações de leitores no Brasil. O filme é produzido pela Boutique Filmes, em coprodução com a Globo Filmes, distribuído pela Paris Filmes, e chegará às salas de cinema em 14 de

 

maio de 2026. No bate-papo na Bienal, a equipe abordará os deafios da transformação do livro em linguagem cinematográfica e o processo de dar rosto, voz e movimento a presonagens que atravessam o tempo.

 

Dos livros para a música, os jogos, a criação cênica e o grafite

Não só para o cinema são adaptadas as obras literárias, mas também para a música, as linguagens lúdicas e tecnológicas dos jogos, a criação cênica e as artes plásticas – do grafite à arte digital. E a Bienal do Livro Bahia fez questão de incluir todos esses nichos nos debates propostos ao longo da sua programação cultural.

 

No dia 19 de abril, o bate-papo “O livro como dispositivo de criação de música - Hip Hop e MPB” irá explorar a relação entre a palavra escrita e a criação musical, com foco em como livros inspiram letras, rimas e manifestos. O painel terá os cantores Rico Dalasam e Chico Chico, com mediação da também cantora Juliana Ribeiro. Nesse mesmo dia, com mediação da jornalista Renata Menezes, acontecerá o painel “Livro em jogo: a palavra que se move”, que irá debater como enredos literários se traduzem em linguagens lúdicas e tecnológicas, expandindo a leitura para experiências interativas.

 

No dia 20 de abril, o coreógrafo Zebrinha, a atriz e cantora Laila Garin, e a escritora e dramaturga Leda Maria Martins, mediados pelo ator e escritor Aldri Anunciação, discutirão como livros se convertem em ação cênica, corpo, rito e celebração, abrangendo teatro, dança, performance, ópera e festas populares. A mesa foi intitulada “O livro como dispositivo de criação cênica: das Letras ao Corpo em Festa”.

 

Já em 21 de abril, último dia da Bienal, a discussão artística se amplia, mas com o foco em outro universo: “O livro como dispositivo de criação nas artes visuais: do Grafite à Arte Digital”. Sob a mediação de Carol Barreto, os artistas plásticos Éder Muniz, Yacunã Tuxá e Igor Souza irão conversar sobre como a leitura, a palavra e a memória escrita se transformam em obras visuais, ocupando muros, telas e instalações.

 

A Bienal do Livro Bahia é apresentada pelo Ministério da Cultura e pelo Governo do Estado da Bahia, tem patrocínio master da Prefeitura Municipal de Salvador e conta com o patrocínio social da Colgate e os patrocínios de Tik Tok, Acelen, PetroReconcavo e Bahiagás. Há ainda o apoio institucional do Sindicato dos Editores de Livros (Snel) e os apoios de BIC e Salvador Shopping. A GL events Exhibitions – divisão da multinacional francesa GL events – é a responsável pela realização do evento.

FONTE/CRÉDITOS: Por Van Carvalho