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LUTO Ícone da música popular brasileira, cantor, compositor e pianista marcou gerações com “Retalhos de Cetim”, “Charlie Brown” e “Mulher Brasileira”. Sua morte representa uma perda histórica para a cultura nacional.
Por: Jhonatanbiths | JBN Bahia
A música brasileira está de luto. Morreu neste domingo (18 de outubro), aos 84 anos, em São Paulo, o cantor, compositor e pianista Benito di Paula, um dos nomes mais marcantes da história do samba e da Música Popular Brasileira (MPB). O artista estava internado no Hospital 9 de Julho e enfrentava um câncer havia cerca de um ano. A informação foi confirmada pela assessoria do músico.
Com uma voz inconfundível, presença marcante e um piano que se tornou sua assinatura musical, Benito construiu uma trajetória que ultrapassou gerações. Sua partida deixa uma lacuna na cultura brasileira e encerra a caminhada de um artista que transformou sentimentos, histórias de amor e experiências da vida em canções que permanecem vivas na memória popular.
“Retalhos de Cetim”: uma canção que se tornou eterna
Se existe uma música capaz de representar a identidade artística de Benito di Paula, essa música é “Retalhos de Cetim”. Lançada na década de 1970, a canção conquistou o Brasil e se transformou em um dos grandes clássicos do repertório nacional.
A obra atravessou décadas, conquistou diferentes públicos e continuou presente nas rodas de samba, nos encontros familiares, nos palcos e nas programações das emissoras de rádio.
Mas o talento de Benito não se limitava a um único sucesso. O artista também eternizou canções como “Meu Amigo Charlie Brown”, “Mulher Brasileira”, “Do Jeito Que a Vida Quer” e “Violão Não Se Empresta a Ninguém”, músicas que ajudaram a consolidar seu nome entre os grandes representantes da música popular brasileira.
Um artista que criou sua própria identidade musical
Nascido Uday Vellozo, em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Benito di Paula encontrou na música o caminho para construir uma carreira singular.
A partir dos anos 1970, ganhou projeção nacional ao desenvolver uma sonoridade que aproximava o samba do romantismo, com arranjos de piano e influências do jazz e do bolero. Seu estilo ficou associado ao chamado “samba-joia”, uma vertente que ajudou a ampliar o alcance do gênero junto ao grande público.
Benito demonstrou que o samba podia dialogar com diferentes linguagens musicais sem perder sua capacidade de emocionar. Ao colocar o piano no centro de suas interpretações, construiu uma identidade própria e conquistou admiradores em diversas regiões do Brasil.
Sua obra também revelou a força de um artista completo: intérprete, compositor e instrumentista, capaz de transformar melodias em histórias que conversavam diretamente com o cotidiano das pessoas.
Uma homenagem em vida que entrou para a história do Carnaval
A importância de Benito di Paula para a cultura brasileira foi celebrada também no Carnaval de São Paulo. Em 2025, a escola de samba Águia de Ouro levou para a avenida o enredo “Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do Jeito Que a Vida Quer”, uma homenagem à trajetória e à contribuição musical do artista.
A homenagem reafirmou a dimensão de sua obra e mostrou como suas composições ultrapassaram os limites dos discos e dos palcos para conquistar também o universo do samba-enredo.
Era o reconhecimento de uma história construída com talento, personalidade e músicas que se tornaram parte da memória afetiva de milhões de brasileiros.
O samba perde um de seus grandes nomes
A morte de Benito di Paula representa mais do que a despedida de um cantor consagrado. É a perda de um artista que ajudou a escrever um capítulo importante da história da música brasileira.
Sua voz, seu piano e suas composições continuarão presentes na vida de quem cresceu ouvindo seus sucessos e também daqueles que descobriram sua obra ao longo dos anos.
Artistas passam, mas as canções que conseguem tocar o coração de um povo permanecem. E Benito di Paula deixa justamente esse patrimônio: uma obra que continuará sendo cantada, lembrada e transmitida às novas gerações.
As informações sobre o velório e o sepultamento ainda não haviam sido divulgadas pela família até a publicação desta reportagem.
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