I Festival de Cinema da Bacia do Jacuípe 2026 - Foto: Gilsimara Cardoso

O Bacine Festival de Cinema da Bacia do Jacuípe encerrou no último domingo, 06, a primeira edição. Após três dias de programação, entre 04 e 06 de setembro, em Riachão do Jacuípe, no interior da Bahia. O evento reuniu realizadores, estudantes, atores, produtores e público em uma programação marcada por exibições de filmes, documentários, formação, encontros e valorização do cinema produzido na Bahia.

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Foram 72 filmes inscritos e 26 selecionados para a primeira edição. As produções apresentaram diferentes linguagens e olhares sobre a realidade, com histórias que partiram de seus próprios territórios para chegar à tela.
A programação também evidenciou a força do audiovisual realizado fora dos grandes centros. Dessa maneira, o BACINE criou um espaço de circulação para produções que carregam sotaques, paisagens, memórias, identidades e questões sociais de diferentes regiões baianas.

Cinema que nasce nos territórios

Laura Oliveira, coordenadora e curadora do BACINE - Foto: Wadson Bahia

Para a coordenadora e curadora do BACINE, Laura Oliveira, a primeira edição deixou resultados que apontam para a continuidade do festival.
“A troca de conhecimentos, os diversos olhares na tela do BACINE, a presença de caravanas de cidades, o resultado produtivo das oficinas, a participação de jovens e diversas faixas etárias sinaliza pra nós que o BACINE veio pra ficar e que o cinema é mesmo a convergência das artes”, afirmou Laura.

I Festival de Cinema da Bacia do Jacuípe 2026 - Foto: Gilsimara Cardoso

Além das exibições, as oficinas aproximaram estudantes e participantes do processo de criação audiovisual. A presença de diferentes gerações também reforçou o papel da formação na construção de novos públicos e novos realizadores.

Katia Gonçalves, Jornalista e jurada do BACINE - Foto: Gilsimara Cardoso

Nesse contexto, os filmes exibidos mostraram que o cinema não se limita ao entretenimento. Ele também registra histórias, preserva memórias, apresenta denúncias e permite que comunidades contem suas próprias narrativas. A jornalista e jurada do BACINE, Katia Gonçalves, destacou justamente essa característica durante o processo de avaliação das obras. “É perceptível, para além dos selecionados, o quanto a gente vê que as produções estão sendo desenvolvidas nos seus territórios. A gente vê também que as comunidades estão desenvolvendo, produzindo, registrando a memória. O cinema não é só entretenimento”, afirmou.

Documentários, ficções e diferentes olhares sobre a Bahia


A diversidade das obras selecionadas ajudou, assim, a construir um panorama da produção audiovisual baiana. Entre diferentes linguagens, documentários e ficções apresentaram distintas formas de interpretar e registrar o cotidiano.Dessa maneira, o público pôde acompanhar histórias que dialogam com questões sociais, culturais e ambientais e que, ao mesmo tempo, revelam personagens e paisagens muitas vezes pouco representados nas telas.

Josias Pires, documentarista e jurado do BACINE - Foto: Gilsimara Cardoso

Para o jurado Josias Pires, documentarista, a seleção do BACINE apresentou uma produção de qualidade e revelou o potencial de uma nova geração de realizadores. Ele também destacou que algumas limitações técnicas fazem parte do processo de amadurecimento das produções audiovisuais.“Foi uma produção bastante razoável. Embora tenha um problema técnico aqui ou ali, isso é normal. É uma geração muito nova que está produzindo. A seleção foi muito boa. Vocês estão de parabéns.”

I Festival de Cinema da Bacia do Jacuípe 2026 - Foto: Gilsimara Cardoso

Essa aproximação entre produção e território também aparece, da mesma forma, na própria experiência de quem participa de um festival. Nesse sentido, o silêncio durante a sessão, o cheiro de pipoca, a expectativa diante da tela e as reações do público fazem parte de uma experiência coletiva. Além disso, quando uma história produzida em determinado território chega ao telão, ela também encontra novas possibilidades de leitura. Assim, uma ficção pode provocar reflexão, enquanto um documentário pode preservar uma memória. Uma imagem pode, assim, despertar o interesse por uma realidade que estava próxima, mas ainda não havia sido percebida daquela maneira. Iniciativas como o BACINE contribuem para ampliar a circulação do cinema baiano e, consequentemente, fortalecer a produção audiovisual no interior.


Premiação reconheceu diferentes produções

I Festival de Cinema da Bacia do Jacuípe 2026 - Foto: Gilsimara Cardoso

Na Mostra Baiana, “Batuques da Fêra”, de Uyatã Rayra e Pedro Patrocínio, de Feira de Santana, recebeu o prêmio de Melhor Filme. “Maria Preá”, de Vinicius Kabelo, de Irecê, venceu na categoria Melhor Direção. Já “Mukondo, da vida após a morte”, de Fernanda Souza, de São Francisco do Conde, foi reconhecido como Melhor Roteiro. Na categoria Melhor Fotografia, o prêmio ficou com “O Livro Mágico do Sertão”, de Sandoval Dourado, de Irecê. “Rede Guardiãs”, de Ricardo Boa Sorte e Michele Nascimento, de Palmeiras, venceu como Melhor Montagem.


A Mostra Baiana também concedeu Menção Honrosa a “Amém, Amor”, de Ricardo Oliveira e Vitória Maria, de Riachão do Jacuípe. Na Mostra Estudantil, “Magaly, a Renegada”, de Joston Luiz do Nascimento Oliveira, de Juazeiro, recebeu os prêmios de Melhor Filme e Melhor Fotografia.
“Eu Vim do Serrote, Eu Vim Passeá”, de Maria Clara Gomes Simões, de Conceição do Coité, venceu em Melhor Roteiro. “Salve o Rio Jacuípe”, produzido por alunos do Instituto Santa Marta, de Riachão do Jacuípe, recebeu o prêmio de Melhor Montagem. Já “De Volta Para Mim”, de Igor Adonai, de Salvador, foi reconhecido como Melhor Direção.

Uma Bahia que se reconhece na tela

I Festival de Cinema da Bacia do Jacuípe 2026 - Foto: Gilsimara Cardoso

Ao encerrar sua primeira edição, o BACINE deixou em evidência a diversidade do cinema produzido na Bahia e, sobretudo, a importância de criar espaços para que essas obras encontrem o público. Além disso, o festival promoveu encontros entre realizadores e espectadores, estimulou a formação audiovisual e colocou diferentes territórios baianos diante das telas.

Dessa forma, a primeira edição mostrou que o cinema também pulsa no interior. Ele está, portanto, nas escolas, nas comunidades, nas cidades, nas memórias e nas histórias de quem transforma experiências em imagem e som. Mais do que levar entretenimento, essas produções carregam identidade, memória e reflexão. Assim, quando chegam ao público, também ampliam as possibilidades de enxergar, reconhecer e valorizar a Bahia a partir dos diferentes territórios que formam o estado.

FONTE/CRÉDITOS: Jornal Atualize