Por Dr. Acelo Lambrini

Entre os procedimentos utilizados para promover renovação cutânea, o peeling químico ocupa um espaço importante na estética. Uma das substâncias empregadas para essa finalidade é o ácido tricloroacético (ATA ou TCA), capaz de provocar uma lesão química controlada na pele e estimular posteriormente seu processo de regeneração.

O peeling de ATA pode ser utilizado em diferentes concentrações e profundidades. Por isso, não deve ser encarado simplesmente como um procedimento para “descamar a pele”. A profundidade atingida depende de fatores como concentração, quantidade aplicada, número de camadas, preparo da pele, região tratada e características individuais do paciente.

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COMO O ATA AGE NA PELE?

Após sua aplicação, o ácido provoca coagulação de proteínas e uma lesão controlada das camadas cutâneas. Durante o procedimento pode surgir o chamado frosting, caracterizado pelo aspecto esbranquiçado da pele e utilizado pelo profissional como um dos sinais clínicos para acompanhar a ação do produto.

Nos dias seguintes, inicia-se um processo de renovação. Dependendo da profundidade do peeling, podem ocorrer vermelhidão, sensação de ardor, ressecamento, escurecimento temporário e descamação. Posteriormente, a regeneração cutânea pode proporcionar melhora da textura e aparência mais uniforme.

PARA QUE O PEELING DE ATA É UTILIZADO?

Quando corretamente indicado, pode integrar tratamentos voltados para fotoenvelhecimento, textura irregular, algumas alterações de pigmentação, linhas superficiais e determinadas cicatrizes de acne. A indicação, entretanto, precisa ser individualizada.

Nem toda mancha deve ser tratada com um peeling mais intenso. Em determinadas situações, principalmente quando existe predisposição à hiperpigmentação pós-inflamatória, uma agressão excessiva à pele pode produzir justamente o efeito contrário ao desejado.

O PÓS-PEELING É PARTE DO TRATAMENTO

Um dos maiores erros é considerar que o tratamento termina após a aplicação do ácido. Os cuidados posteriores são fundamentais para uma recuperação adequada.

A pele deve ser protegida da exposição solar, e o paciente precisa seguir rigorosamente as orientações de higienização, hidratação e fotoproteção fornecidas pelo profissional. A pele que começa a descamar não deve ser puxada ou arrancada, pois isso aumenta o risco de irritação, manchas e cicatrizes.

Também é importante evitar, durante o período determinado pelo profissional, outros ácidos, esfoliantes e produtos potencialmente irritantes.

⚠️ QUANDO É NECESSÁRIO TER MAIS CAUTELA?

O peeling químico exige avaliação cuidadosa em pessoas com pele irritada ou lesionada, infecções ativas, histórico de cicatrização anormal ou tendência a alterações importantes de pigmentação. Medicamentos em uso, procedimentos recentes e histórico dermatológico também devem fazer parte da avaliação.

Em peles com maior quantidade de melanina, a escolha da técnica e o acompanhamento merecem atenção especial devido ao risco de alterações de pigmentação após processos inflamatórios.

INFOGRÁFICO | PEELING DE ATA

O QUE É?
Peeling químico realizado com ácido tricloroacético.

PRINCIPAL OBJETIVO
Promover uma lesão química controlada seguida de renovação da pele.

PODE AUXILIAR EM
Textura irregular • fotoenvelhecimento • algumas manchas • linhas superficiais • determinadas cicatrizes de acne.

O QUE PODE ACONTECER DEPOIS?
Vermelhidão • ardência • ressecamento • escurecimento temporário • descamação.

CUIDADO ESSENCIAL
Fotoproteção rigorosa e respeito ao período de recuperação da pele.

ATENÇÃO
Concentrações maiores não significam automaticamente resultados melhores. Quanto maior a profundidade da lesão química, maior também pode ser o período de recuperação e o risco de complicações.

RESULTADO COMEÇA COM UMA BOA INDICAÇÃO

O peeling de ATA pode ser uma ferramenta útil para renovação cutânea, mas seu resultado depende muito mais de uma indicação correta, técnica adequada e acompanhamento profissional do que simplesmente da concentração utilizada.

Na estética moderna, tratamentos mais intensos não devem ser sinônimo de tratamentos melhores. O objetivo deve ser alcançar uma melhora progressiva da qualidade da pele respeitando suas características, seu fototipo e sua capacidade de recuperação.

Informação, avaliação individualizada e segurança devem sempre fazer parte de qualquer procedimento químico realizado na pele.