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Quando pensamos em cuidar do coração, é comum lembrar imediatamente de colesterol, pressão arterial e exames cardiológicos. Mas existe outro elemento importante nessa história: a rotina.
O coração é influenciado por hábitos construídos durante anos. Alimentação, atividade física, tabagismo, sono, consumo de álcool e controle de fatores como pressão arterial, colesterol e glicemia fazem parte da prevenção das doenças cardiovasculares.
Isso não significa que uma única escolha inadequada causará uma doença cardíaca. O risco cardiovascular resulta da combinação de diversos fatores — alguns modificáveis e outros, como idade e predisposição genética, não modificáveis.
A boa notícia é que vários deles podem ser trabalhados.
1. PASSAR TEMPO DEMAIS SENTADO
Trabalhar sentado, dirigir, assistir televisão e passar horas diante do celular ou computador podem fazer com que uma pessoa permaneça grande parte do dia praticamente sem se movimentar.
E existe uma diferença importante entre fazer exercício e ser ativo ao longo do dia.
A prática regular de atividade física está associada a benefícios cardiovasculares, enquanto o comportamento sedentário excessivo merece ser reduzido. Caminhar, subir escadas e fazer pequenas pausas para se movimentar são formas simples de inserir movimento na rotina.
2. CONSUMIR SAL EM EXCESSO
O sódio está presente não apenas no sal colocado durante o preparo da comida.
Alimentos ultraprocessados, embutidos, macarrões instantâneos, temperos prontos, salgadinhos e diversos produtos industrializados podem fornecer quantidades significativas de sódio.
O consumo elevado de sódio está relacionado ao aumento da pressão arterial, um importante fator de risco para doenças cardiovasculares.
Por isso, aprender a observar os rótulos também é uma forma de cuidar do coração.
3. FUMAR — INCLUSIVE “SÓ DE VEZ EM QUANDO”
Não existe benefício cardiovascular em fumar pouco.
O tabagismo está relacionado ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e aumenta o risco de problemas como doença coronariana e acidente vascular cerebral (AVC).
Cigarros eletrônicos também não devem ser considerados uma alternativa inofensiva. Seus aerossóis podem conter nicotina e outras substâncias potencialmente prejudiciais.
Parar de fumar é uma das medidas mais importantes para redução do risco cardiovascular.
4. DORMIR MAL CONSTANTEMENTE
Dormir não significa simplesmente “desligar” o organismo.
O sono participa de processos relacionados à regulação hormonal, metabolismo e funcionamento cardiovascular. Sono insuficiente ou de má qualidade pode estar associado a condições que aumentam o risco cardiovascular.
Além da quantidade de horas, merece atenção a qualidade do sono.
Ronco intenso, pausas respiratórias percebidas durante a noite, engasgos durante o sono e sonolência excessiva durante o dia podem justificar avaliação profissional, inclusive pela possibilidade de distúrbios como a apneia obstrutiva do sono.
5. IGNORAR A PRESSÃO ALTA PORQUE “NÃO SENTE NADA”
Este talvez seja um dos hábitos mais perigosos: acreditar que ausência de sintomas significa ausência de doença.
A hipertensão frequentemente pode existir sem provocar sintomas perceptíveis. Quando permanece sem diagnóstico ou controle adequado, aumenta o risco de complicações cardiovasculares.
Medir a pressão corretamente e realizar acompanhamento de acordo com o risco individual permite identificar alterações antes que elas provoquem consequências mais graves.
6. EXAGERAR NOS ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS
Uma rotina baseada predominantemente em refrigerantes, biscoitos, doces, carnes processadas, fast-food e outros ultraprocessados pode favorecer um padrão alimentar nutricionalmente inadequado.
Para a saúde cardiovascular, o conjunto da alimentação importa.
Frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais e outras fontes alimentares minimamente processadas podem compor uma alimentação mais equilibrada.
Não é necessário transformar cada refeição em uma equação perfeita. Consistência costuma ser mais importante do que perfeição.
7. CONSUMIR ÁLCOOL PENSANDO QUE ESTÁ “PROTEGENDO O CORAÇÃO”
Durante muito tempo circulou a ideia de que determinadas bebidas alcoólicas seriam recomendáveis para proteger o coração.
Essa interpretação merece cautela.
Quem não bebe não deve começar a consumir álcool buscando benefícios cardiovasculares. O consumo excessivo pode contribuir para hipertensão, alterações do ritmo cardíaco e outros problemas de saúde.
8. VIVER SOB ESTRESSE SEM ESPAÇO PARA RECUPERAÇÃO
Estresse faz parte da vida e não é possível simplesmente eliminá-lo.
A questão é quando tensão, preocupação e sobrecarga tornam-se permanentes e passam a interferir no sono, na alimentação, na atividade física e em outros comportamentos importantes para a saúde.
Cuidar da saúde emocional também pode ajudar a preservar hábitos que protegem o sistema cardiovascular.
INFOGRÁFICO | 8 HÁBITOS PARA OBSERVAR
Seu coração merece atenção se sua rotina envolve frequentemente:
❤️ Pouca atividade física
🧂 Excesso de sódio
🚬 Cigarro ou outros produtos com nicotina
😴 Sono insuficiente ou de baixa qualidade
🩺 Falta de acompanhamento da pressão arterial
🍔 Excesso de ultraprocessados
🍺 Consumo excessivo de álcool
🧠 Estresse persistente associado a hábitos pouco saudáveis
TROQUE AOS POUCOS
Muito tempo sentado → pequenas pausas com movimento
Excesso de sal → mais alimentos frescos e menos ultraprocessados
Cigarro → buscar apoio para cessação
Pouco sono → rotina regular e investigação quando houver sintomas
Sedentarismo → atividade física progressiva
Falta de acompanhamento → prevenção e avaliação conforme seu risco
O CORAÇÃO NÃO PRECISA ESPERAR OS SINTOMAS
Um dos conceitos mais importantes da prevenção cardiovascular é justamente agir antes do aparecimento de uma emergência.
Infarto e AVC não surgem necessariamente após um único hábito ou acontecimento. Em muitos casos, existe uma história de fatores de risco que se acumulam ao longo do tempo.
Pressão arterial, colesterol, diabetes, tabagismo, alimentação, atividade física, peso corporal, sono, idade e histórico familiar podem compor diferentes níveis de risco para cada indivíduo.
Por isso, duas pessoas da mesma idade podem necessitar de estratégias preventivas diferentes.
PREVENÇÃO NÃO É VIVER COM MEDO
Cuidar do coração não significa transformar cada alimento, noite mal dormida ou dia sem exercício em motivo de preocupação.
Saúde é construída no conjunto.
Uma caminhada que passa a fazer parte da rotina, abandonar o cigarro, melhorar progressivamente a alimentação, controlar a pressão e realizar acompanhamento adequado são mudanças que podem ter importância muito maior do que buscar uma rotina perfeita.
Seu coração trabalha todos os dias por você. Talvez valha a pena perguntar: os seus hábitos também estão trabalhando por ele?
Conteúdo informativo. Recomendações individuais e avaliação do risco cardiovascular devem ser realizadas por profissional habilitado.
Publicado por:
Portal Dr.Acelo Lambrini
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