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O avanço de medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy, trouxe um novo cenário para os debates sobre obesidade, emagrecimento e estética. Hoje, algo em torno de 2,8 milhões de brasileiros utilizam essas terapias, com vendas que já somam aproximadamente 1 milhão de caixas por mês no país, segundo relatórios da L.E.K Consulting e UBS BB, respectivamente. Se, por um lado, essas medicações representam um avanço importante no manejo da obesidade, por outro tornam mais visíveis os efeitos estéticos associados à perda de peso rápida, especialmente na face.
Na prática, profissionais de saúde estética já observam uma nova demanda: pacientes que, após emagrecimento significativo em períodos mais curtos, buscam procedimentos para recuperar volume, firmeza e proporção facial. Entre as principais queixas estão a perda de massa em regiões como maçãs do rosto e têmporas, a acentuação de sulcos e a flacidez cutânea, além de um aspecto geral de envelhecimento precoce.
“É importante destacar que esse fenômeno não está relacionado ao mecanismo farmacológico da medicação, mas sim à velocidade da perda ponderal, que leva à redução abrupta dos compartimentos adiposos faciais e resulta em alterações estruturais importantes”, afirma Daniela Moleiro, biomédica especialista em estética tecnológica.
Para lidar com esse cenário, a especialista destaca a necessidade de abordagens combinadas, que envolvem reposição volumétrica, estímulo de colágeno e tecnologias para melhorar a qualidade da pele: “A associação dessas modalidades permite uma abordagem tridimensional da face, atuando não apenas na pele, mas também nos sistemas de sustentação”, pontua.
Do ponto de vista clínico, o desafio vai além da redução de peso. A preocupação central passa a ser a qualidade do emagrecimento, com preservação de massa muscular e equilíbrio metabólico — fatores que também influenciam diretamente o resultado estético.
“É preciso emagrecer com qualidade. O objetivo não é apenas reduzir o peso na balança, mas preservar a massa muscular, a funcionalidade e um bom resultado estético. Emagrecimentos muito rápidos tendem a reduzir de forma abrupta a gordura facial, o que pode levar a um aspecto mais envelhecido ou cansado”, ressalta o médico endocrinologista Bruno Soalheiro.
Para o médico, esse equilíbrio depende de acompanhamento especializado, alimentação adequada — com atenção especial à ingestão de proteínas — e prática regular de atividade física, especialmente o treinamento de força. “A individualização é indispensável. Cada paciente tem um contexto, uma rotina e objetivos específicos. Por isso, é importante alinhar o acompanhamento, a alimentação e o treino. Quando fazemos isso, o resultado tende a ser mais sustentável, saudável e esteticamente equilibrado”, complementa.
Da balança ao espelho: os novos desafios do emagrecimento
A crescente convergência entre protocolos de emagrecimento clínico e procedimentos estéticos sinaliza uma mudança de paradigma na área. Mais do que responder a uma tendência, o setor passa a incorporar uma visão integrada do paciente, em que saúde, estética e bem-estar caminham juntos — com maior exigência técnica e responsabilidade na condução dos tratamentos.
Esse movimento já se reflete na programação de eventos do setor. No 32º Congresso Internacional de Estética (Congresso Estetika), um dos principais encontros da área na América Latina, o tema passa a integrar a curadoria científica como um dos eixos centrais de discussão, acompanhando essa transformação do mercado.
“Estamos diante de uma nova realidade clínica, com pacientes que apresentam emagrecimento acelerado e impacto direto na qualidade da pele, na flacidez tecidual e na redistribuição de volume facial e corporal. Esse cenário exige uma abordagem mais estratégica, integrada e baseada em conhecimento técnico”, explica Maria de Fátima Lima, curadora do Congresso.
Segundo a especialista, entre os principais pontos de debate estão os impactos estéticos da perda de peso rápida, a necessidade de atuação multidisciplinar e os limites éticos e técnicos na prática estética. “Outro ponto central é a discussão sobre indicações, contraindicações e limites éticos dentro da prática, especialmente diante da popularização desses medicamentos”.
O tema será debatido em diferentes momentos da 32ª edição do Estetika, que ocorre entre os dias 31 de julho e 2 de agosto no São Paulo Expo, na capital paulista, em realização da GL events Exhibitions. A palestra “Canetas emagrecedoras e os desafios do novo emagrecimento” reúne Bruno Soalheiro, Nany Motta e Fernanda Soares no dia 1º de agosto, às 9h30, na plenária principal do Congresso. Na sequência, às 10h20, Daniela Moleiro apresenta “Rejuvenescimento facial na era das canetas emagrecedoras”, como parte do Simpósio de Estética Facial de Precisão.
Website: https://congressoestetika.com.br/
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